terça-feira, 4 de abril de 2017

MISSIONÁRIO DO CEI NA ÁFRICA DO SUL

Vinicius Palma ficou no país africano durante um ano, em uma
base com crianças órfãs. Ele conta como Deus o guardou
de doenças e várias experiências
No dicionário, missão é re­ferida como uma incum­bência, um propósito, de­ver, uma obrigação a executar, entre outras coisas. Não diferente é assim também no evangelho. E ao ser desig­nado para fazer missões, o cabofriense Vinicius Palma, de 26 anos e membro do Centro Evangelístico Internacional, não titubeou e foi enviado a Joanes­burgo, na África do Sul.
Em 2014, com o coração ardendo por missões, Vinicius fez um curso te­ológico missionário, o Perspectivas. No mesmo ano fez outros dois, um no Rio de Janeiro e outro em Moçambique, ambos do Ministério Íris Global. Para o ano seguinte ele já havia orado e Deus tinha dado a direção de ser enviado ao campo e contou com o apoio do pas­tor Fabrício Valladares.
– Eu sempre gostei de estar envolvi­do em tudo que a igreja estava fazen­do de evangelismo, projetos sociais, sempre ajudei. Em 2012 tive a opor­tunidade de fazer minha primeira via­gem missionária que foi pra Bolívia e lá eu tive a confirmação de Deus que era isso que Ele queria pra minha vida e desde então nunca mais parei – co­mentou Vinicius, que explicou como surgiu a oportunidade de ir pra África do Sul.
– Após os cursos que eu fiz em 2014, fiquei em contato com um mi­nistério no Brooklyn (Estados Unidos) que trabalha com crianças, estava tudo certo pra ir só me faltava o visto, de­pois de ter duas vezes recusado o ra­paz do ministério disse para mim que isso nunca tinha acontecido antes, que Deus devia ter outro lugar para eu ir naquele momento. Foi onde comecei a orar mais e ele me levou para a África do Sul em um sonho e me dizia que era lá que ele queria que eu fosse. O pastor conhece meu coração e conver­sando com ele acabou entendendo e me apoiando.
O missionário foi então para uma base da missão, em Mogale City, que cuidava de crianças órfãs abandona­das e em situações de risco, e por lá ficou um ano. Vinicius ajudava a cui­dar delas, além de dar aulas, fazer ma­nutenção do local, evangelismo em hospitais, vilarejos e suporte a igrejas. Uma experiência inesquecível.
Nem tudo foram flores. A distância da família e amigos foi sentida algu­mas vezes, assim também como ter que ficar de quarentena isolado por causa de um parasita.
– Até hoje não sei muito bem que bicho foi, mas os líderes da base dis­seram que eu estava com um parasita e ele era transmitido facilmente para outras pessoas por contato, então eu podia ter pego de mil maneiras e tam­bém como vivíamos todos juntos eu poderia também transmitir facilmente. Passei semanas na minha cabana me hidratando bastante e com as pessoas me trazendo comida. Não foi fácil, tive diarreia, vômito e muita dor de cabe­ça. Perdi muito peso. Como não que­ria assustar ninguém, principalmente minha família, acabei não contando a ninguém, pois sabia que Deus estava comigo e não queria que ficassem pre­ocupados – contou.
As histórias com as crianças e ado­lescentes ainda estão vivos na memó­ria do jovem missionário. Momentos marcantes de crianças abandonadas e pobres que mesmo assim não deixa­vam de buscar e adorar a Deus.
– Lembro da minha primeira sema­na lá, eu estava dando aula quando começou a chover bastante, aí eu brin­quei com elas falando que ninguém iria voltar para casa até parar de cho­ver e elas perguntaram se poderiam orar e pedir a Jesus para a chuva parar porque elas queriam ir para casa. Eu disse que podiam, todas dobraram os joelhos e começaram a orar, crianças de quatro a seis anos, e não é que a chuva parou? (risos) Ficaram comemo­rando “Jesus nos ouviu” e falando “viu tio, a chuva parou” – lembrou, recor­dando de outro momento especial.
– Fiz um momento de adoração na sala de aula, coloquei um louvor e fechei os olhos, quando abri vi essas crianças adorando de braços abertos, outras de joelhos, deitadas, adorando com um amor incomparável.
De volta a Cabo Frio, Vinicius aguar­da novamente o chamado de Deus para que possa ser enviado novamente para o campo missionário. Enquanto isso é voluntário das escolas que fez e em janeiro estará ajudando no Staff de uma delas.